Comunicação interna: um insight para o diálogo

A palavra comunicação guarda um entendimento interessante: comum + ação. Algo a ser realizado por mais de uma pessoa.

A origem latina da palavra aponta para justamente este “insight”, que pode ser muito útil para comunicação interna corporativa e #endomarketing digital (com ferramentas digitais).

Ação conjunta pressupõe participação de emissor e receptor para, assim, construir ou compartilhar algo.

Pessoalmente, penso que esta sugestão do latim parece mais pertinente e atual do que nunca.

Por séculos, a comunicação “institucional” operou como um monólogo. Mas, na era da informação, das opiniões e do #fake news, este modelo não será o mais eficiente para engajar seu público interno ou mesmo externo.

Esta mudança é resultado de um longo processo histórico, filosófico, cultural, social e tecnológico que forçosamente conduz ao diálogo.

No século XV, por exemplo, um cidadão comum apenas se ocupava de trabalhar a terra (ou outros ofícios manuais) e tinha poucas fontes de informação, além do seu círculo imediato.

A exceção podia ser o contato com emissários de governantes (reis, nobreza ou poderosos) e a Igreja. Ali, ignorante do mundo e da vida, o indivíduo entrava por grandes portas em um ambiente repleto de riqueza para ouvir um representante direto de Deus.

Este cidadão pouco podia, ou sequer vislumbrava, qualquer tipo de troca. No máximo, confessava seus pecados e ficava ainda mais fragilizado perante autoridades portadoras da “verdade absoluta”.

Era a moral concreta, conceito que personaliza a verdade em uma pessoa ou seus representantes (bispos, padres, até mesmo reis e rainhas), sob o peso do dogma e da punição unilateral.

Mas, naqueles séculos, algumas sementes decisivas foram lançadas para mudar muito as coisas…

René Descartes e seu “Penso, logo existo”, Gutenberg com a prensa, Copérnico com o heliocentrismo, Lutero com o protestantismo e muitos outros, de várias áreas do conhecimento, contribuíram para diluir esta “submissão absoluta” em públicos cada vez maiores.

Já no século XX. mesmo com a liberdade de pensamento já disseminada a muitas pessoas, a tecnologia limitava a comunicação de massas ao monólogo.

O emissor enviava suas mensagens e o receptor assimilava como, muitas vezes, a única e provavelmente verdadeira versão das verdades e fatos.

O modelo da Igreja, dos veículos de comunicação, das relações familiares, sociais, escolares e outras corroboravam para a comunicação unilateral, seja por fatores culturais ou limitações de tecnologia.

Mas isso mudou profundamente.

O brasileiro médio recebia mais de 130 mensagens informativas por dia em 2016, sejam notícias, anúncios, fotos, músicas, etc, sobre os mais variados assuntos.

Em meio a tanta oferta, ele precisará ser atraído para selecionar o que vai “consumir” em termos de informação. E ele não mais apenas recebe. É cada vez mais comum ficar interessado por aquilo em que poderá emitir opiniões.

Filhos respondem aos pais, alunos questionam freiras, padres e professores nas escolas, internautas comentam notícias nos sites e as compartilham, a favor ou contra, em suas redes sociais.

Mas, se a liberdade para pensar e se expressar evoluiu muito mais do que a formação ou capacidade de reflexão das pessoas nos últimos 30 anos, é possível ignorá-la?

Não é prudente.

Se os gestores de comunicação não sabem das opiniões dos colaboradores, por exemplo, não quer dizer que eles não estejam pensando. E já sabemos que pensar leva a agir, agir a habituar-se e ter hábito cria cultura.

Como ficar fora deste diálogo “não publicado” quando o objetivo é ser um driver para boas práticas, desenvolvimento pessoal e engajamento para objetivos?

Por que não participar e influenciar a “rádio-peão”?

Por isso, acredito que há uma grande oportunidade escondida (ou evidente!) na palavra comunicação, comum + ação, fazer junto, construir ideias em grupo.

E como fazer isso em tempos de comunicação digital? No endomarketing digital, é preciso plataformas, #conteúdo e mindset.

Todas elas já estão ao alcance e podem ser construídas pelos gestores interessados em dialogar.

Quando digo #mindset, me refiro a ambientes de comunicação interna que primem pelo diálogo, uma vez que as tecnologias digitais têm as plataformas para isso.

Antes que me critiquem, os veículos convencionais (comunicados, murais, informativos, jornais internos impressos, etc) seguem muito importantes mas, porque não, podem ganhar aliados.

Há #plataformas para chat em intranets, grupos on line para diferentes devices, aplicativos (sob medida ou não)…

Sobre conteúdo (#content), destaco o profissional de comunicação que trará qualidade na percepção de temas e produção dos temas que vão iniciar diálogos (textos, vídeos, artes, eventos), além de habilidade para conduzir as conversações.

O desenvolvimento dos diálogos é crucial e deve ter toda a atenção e profissionais dedicados a isso. À medida que as opiniões e temas forem surgindo, é importante pensar junto.

A via de duas mãos deste diálogo permitirá transformar as “falácias” ou imperfeições do entendimento dos colaboradores e, ao mesmo tempo, enriquecer os posicionamentos da Empresa.

Neste ponto, é possível até comparar com o processo socrático da maiêutica…

Por perguntas simples e respostas, construídas em conjunto, as opiniões frágeis não se sustentam e criam-se melhores ideias e compreensão da realidade.

E, também, da missão, visão e valores da empresa, das campanhas, estratégias, táticas e objetivos…

Este processo de reflexão e autorreflexão, segundo o filósofo grego, coloca o indivíduo no caminho de busca da verdade (que seria latente) e da prática da virtude.

Quando uma pessoa (o colaborador) assimila, compreende e concorda com o que está fazendo, seu engajamento e resultados atingem outro nível. Ele quer evoluir.

É preciso conquistar a confiança e a disposição dos colaboradores em expressar suas opiniões.

Estudos comprovam que as pessoas acreditam, hoje, em colegas tanto quanto especialistas e mais do que em CEO´s, políticos ou autoridades. Então, é preciso ser um “deles”.

Para ganhar a confiança é preciso falar de igual para igual, levar conteúdo verdadeiro/transparente e relevante e dialogar. E nesta troca, evoluir conjuntamente.

Afinal, além de engajar e desenvolver as pessoas, outro benefício é a grande possibilidade de #insights valiosos.

Saber o que os membros da equipe realmente pensam é valioso! Somar a força deles ao objetivo da Empresa é sinergia: 2 + 2 = 5!

Se deixar a zona de conforto pode ser difícil, pior é afundar com ela. Se o monólogo parece seguro, pode ser seguro apenas de que não está chegando onde podia (ou deveria).

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